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Randy Banks: aloha brother, like to stay in touch please write hangy i talk to bakari.
Edywilson S seixas: Gostode cachaça
WISHLAMP: Hello! How are you? I would like to invite you to my site. I would like to learn more about Peru, and the people of South America. Please sign my guest map, and be sure to make a wish, and tell me more about you! I hope you have fun at my site. (All are welcome at WISHLAMP so feel free to tell your friends they are welcome as well.)
free-galleries: galleries free
Tita: oi por todos os lados possiveis, já q estamos no peru posible.
Carol: Oi Vanessa, segue meu email: carol_velloni@hotmail.comEstou no swissotel. Gracias!
Vanessa: Carol, me manda um email que a gente onversa melhor. Beijos e seja bem-vinda,Vanessa
Carol: Hola, sou uma brasileira de SP e estou em Lima a trabalho. Queria saber se tem algumas dicas de lugares legais para visitar
Tita: Hola, tudo bem valeu por colocar meu blog entre seus links, seu blog está demais parabens, saludos
Vanessa: 40 reais???? Caramba! Pois é, em relacao a novela voce só perdeu o Gil mesmo. O resto foi daquele jeito. Só a saudade de casa pára fazer a gente perder tempo com essas coisas mesmo...Beijos,
Poliana: Oi Vanessa, quer dizer que o final da novela foi uó... que decepção!!! Em relação ao teu comentário sobre o leite de côco e o Dendê, putz, isso é relíquia. Aqui no Chile um leite de côco custa como R$40.00 (Reais), convertendo claro... Beijos, Poli
Katrin: Hiya Vanessa - I can not read your journal but I am very interesting in Peru and the "old cultures". Maybe, we could become friends in the future?! It would be so great to find a friend in your country!!!! But for now I wish you a wonderful weekend, a great Sunday and a nice time! Greetings from Germany - Katrin and cats -
Vanessa: Andre, nao consegui. Entrei na pagina, mas nao aceitaram o login nem a senha. Nao tem outra maneira?
Andre: Espero que usted escuche mi música pronto, antes de que cambie lacontraseña y el nombre del usuario. ¿Puede usted leer en inglés?
Andre: Eso es aprueba, satisface escucha cuando usted puede.
Vanessa: Andre, no he logrado escuchar tu musica. ¿De onde eres tu?
Andre: ¡Un lugar muy agradable aquí! Deseé decir que hola... ustedrealmente tenga buenos ideas y pensamientos... Andre...¡Escuche mi música LIBRE, gracias...!
Borboletinha: Gracinha seu mural!
Vanessa: To sabendo...Beijos,V
Diorela: Vim aqui pro Peru só pra te dizer que gostei do novo espaço e que tenho ORKUT também! beijos
Vanessa: Ah, foi voce? Pois é, menina, fiquei louca me perguntando quem era a tal Clara. Obrigada pelo convite!!!
Alê: Fui eu que te mandei o convite do Orkut, só pra vc não ficar pensando quem é Clara...rsAinda não pra que serve , mas é a nova febre da net...Abraço
Alê: Que lindo o seu Mateus...
Renato: Até que esse troço funciona mesmo! Um beijo, Renato

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05-10-2004

2:21 PM

Lá vou eu de novo...

Já comentei por aqui que adoro me mudar, né?! Pois é, em três anos de Peru já nos mudamos de casa exatamente três vezes. E, agora, depois da história da janela, tive vontade de me mudar outra vez, para um apartamento bem baixinho, rente ao chão, destes que não oferecem perigo algum para filhos traquinas...

Mas, por enquanto, me mudo apenas daqui. Nunca gostei muito e acho que nem os meus 17 leitores, já que a maioria parece ter ido embora...

Veremos, então, se aqui nos sentimos todos mais confortáveis. Nos vemos !
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03-10-2004

2:08 PM

De amigos e sobre eles...

Há pouco tempo recebi um presente pelo correio. Já tinha recebido outro, de uma outra pessoa, que tinha me emocionado muitíssimo e, mais uma vez, me enchi de felicidade com o que chegou recentemente. Os dois vieram de gente que não me conhece pessoalmente. Gente que sabe de mim pelo blog e "indo com a minha cara" resolveu "falar" comigo por e-mail. Gente que virou amigo, compartilhando segredos e histórias de família, como se já nos conhecêssemos há tempos.

Bom, o presente que chegou por esses dias é A louca da casa, livro da Rosa Montero, escritora convidada da Festa Literária Internacional de Paraty. A pessoa quem o mandou disse que às vezes é perseguida pela estranha sensação de que coisas suas na verdade pertencem a outros. Assim foi com o livro. Ela o comprou e quando começou a ler o achou tão a minha cara que não teve outra opção se não me manda-lo, "devolvendo" algo que, segundo ela, por direito deveria ser meu!

Em primeiro lugar, essa lógica é tão poética e tão generosa que já é um presente por si. Quando comecei a ler, fiquei super envaidecida por ela ter se lembrado de mim com ele, já que se trata de uma escritora falando sobre escrever. Sobre essa necessidade imperiosa que todo escritor tem de transformar tudo em conto.

Estes dois amigos virtuais vivem me dizendo que eu deveria seguir os conselhos do marido e investir no oficio da escrita. Não sei. Continuo achando doloroso. Mas, juntando tudo, vou construindo um olhar muito especial sobre as coisas. E sendo chamada atenção quando deixo passar outras tantas...

                                                              

Por exemplo, esses dias me lembrei do meu avo. O homem era todo um personagem, delicioso e profundo como um Guimarães Rosa e fantástico como um Garcia Márquez. Cada neto deve ter, no mínimo, umas 150 histórias para contar sobre ele. Multiplicando esse número por 835, dá para fazer uma coleção inteira da Barsa, com pelo menos cinco volumes de 500 páginas cada!

Me lembrei de uma, que talvez seja a mais profunda que conheço. A mais nova doss trinta filhos ficou grávida aos 18. Foi um trauma na família , que custou a aceitar a situacao com tranquilidade. Claro, estamos falando de algo que aconteceu há uns vintes anos, numa cidade do interior de Minas...

Meu avo, que já estava velhinho, era a maior preocupação. Mas, ele era um homem vivido, sabia das coisas. Ironicamente, foi o que melhor reagiu e, no final das contas, nunca emitiu nenhum juízo de valor sobre a situação. Só abriu a boca uma única vez, quando lhe comunicaram qual seria o nome da menina que nasceria:
- Maíra, paizinho...

Maíra é um nome lindo realmente e estavam todos unânimes na escolha. Exceto o meu avo, que ouviu calado para, depois de cinco minutos, comentar:
- Com o ambiente de tensão que vivemos nos ultimos meses, não acho que ela deva ser batizada com um nome que soma duas palavras que podem perpetuar esse clima: e Ira...

Eu realmente gosto deste nome e ninguém pode dizer que não é bonito, mas, naquele momento, quem poderia negar a lógica do "vozinho"?! Considerando o contexto, a observação fazia todo o sentido. E, assim, veio a Mariane!

Quando contei essa história, o amigo do primeiro presente me disse que só esse episódio já valia um livro. Aí, me lembrei do presente da outra amiga, que diz que não se pode falar de literatura sem falar da vida, e só pensei na sorte que tenho com esses dois na minha própria. Certamente, personagens da obra pessoal que ainda não escrevi...

PS: Uma curiosidade: eu jurava que Maíra era um nome indígena. Pois é, me enganei. É árabe e significa "inteligente". Já Mariane, corruptela de Mariana, indica inteireza de ânimo e espírito aberto. Preocupam -se como os demais na medida em que deles necessitam e, em geral, são pessoas receptivas.
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30-9-2004

8:23 PM

ô velho amigo me perdoa, por favor...

Fui no correio hoje mandar uma encomenda antiga para um amigo. Desde março junto coisa para ele e quando pus o envelope na balança quase cai para trás. Ia sair uma fortuna. Fui tirando coisa até atingir os 500 gramas correspondentes ao que eu tinha na carteira para pagar. Foi mal, amigo, mas tive que sacrificar meia dúzia de coisinhas...

No entanto, não se preocupe, só tirei supérfluo (!!!). Primeiro, o convite de um evento que já passou, que eu só estava mandando por causa da foto da capa, que era realmente bonita. Depois, um papelzinho que tinha quatro gramas (!!!) e que fez a maior diferença no valor total. E, finalmente, tirei a carta de duas páginas que eu tinha escrito.

É até irônico, porque eu começo falando que há muito tempo não escrevia cartas, ainda mais depois do email, para no final não mandá-la de qualquer jeito. Bom, mas já que não deu para mandar, publico aqui para que você não perca (quase) nada do que continha no enorme envelope branco que seguiu hoje para o seu endereço:

Lima, 30 de setembro de 2004.

Olá,
Há muito tempo não escrevo cartas. Depois do email, então... Mas, hoje, sabendo que iria ao correio, me animei!

Por aqui, o tempo começa a mudar. Já é possível ver um solzinho durante o dia, ainda que continue frio a noite.

O Renato diz que sou exagerada, que não faz tanto frio assim, mas ontem, num parque com o Mateus, tive que me esconder no carro, tiritando que estava. E olha que eu usava um casaco de couro sobre uma blusa grossa de algodão!

De qualquer maneira, a presença do sol já provoca mudanças de humor. Ao menos do meu! Lima é apelidada de "La fea" por seu eterno gris invernal. Apesar da alcunha nada "halagadora", a impressão que tenho é a de que, no fundo, os limenhos gostam desta melancolia.

Eu não. Me afeta, "pero no mucho", admito. De qualquer maneira, fico muito mais feliz com o sol brilhando lá fora. Já estou até bejezinha, saindo do amarelo quase branco que me confunde com a parede da sala! Só não deu ainda para botar pra fora os dedos do pé. Isso só será possível em fevereiro, quando chegarmos do Brasil com a bolsa cheia de havaianas, um par de cada cor e para cada dia da semana, que sou perua, né?!

Estou com saudades dos meus pais e eles de mim. Minha mãe espera minhas ligações semanais com angustia e uma certa tristeza. Ainda bem que já estamos em outubro.

Bom, cansei a munheca!

Beijos,
Vanessa
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29-9-2004

12:13 AM

Coisas daqui

Está começando o período da procissão do "Señor de los Milgros", considerada a mais numerosa do cristianismo em todo mundo e um dos maiores legados que os negros deixaram para a sociedade peruana.

Em Lima, na metade do século XVII, muitos negros escravos vindos da África estavam organizados em confrarias e viviam na zona de Pachacamilla, onde funciona, atualmente, o Monastério das Nazarenas. Lá, eles veneravam a diferentes imagens e rendiam culto aos santos. Uma delas era a de um Cristo Crucificado, que um negro angolano tinha pintado na parede de um galpão, para que protegesse o lugar.

Em 1665, no governo de Luís Enrique Guzmán, um terrível terremoto assolou a cidade de Lima, que ficou destrocada, atingindo, inclusive, a zona de Pachacamilla. Os negros, portanto, tiveram que abandonar o local. Milagrosamente, o muro de concreto com a imagem pintada do Cristo crucificado se manteve de pé.

Anos depois, por volta de 1670, Andrés Leon, vizinho do bairro de San Sebastián, homem simples e de pouco dinheiro, descobriu intacta a imagem abandonada. O homem reforçou o muro e começou a rezar à imagem, pedindo que esta lhe devolvera a saúde, já que os médicos tinham decretado a sua morte em função de um câncer cerebral.

Conta a lenda que o devoto Leon se curou do câncer e, evidentemente, atribuiu o milagre ao Cristo de Pachacamilla. A história correu de boca em boca e rapidamente passou a ser comum, todas sextas-feiras, a reunião de fieis (negros e mestiços, em sua maioria) ao redor do Cristo.

Claro que as autoridades eclesiásticas não viram com bons olhos esta devoção e ordenaram que a imagem fosse apagada. Entretanto, os encarregados da função não puderam cumprir o trabalho: súbitos enjôos, visões e, finalmente, uma violenta tempestade impediram a sua execução.

Ao saber do sucedido, Pedro Fernandez de Castro, conde de Lemos, revogou a ordem e ordenou que se levantasse uma capela para render culto ao Cristo de Pachacamilla, chamando-o de "Señor de los Milagros".

Desde outubro de 1687, depois de que outro terremoto castigasse Lima, uma réplica em óleo da imagem do Cristo percorre em procissão as ruas da cidade. Poucos anos antes, a madre-superiora Antonia del Espiritu Santo, devota do "Señor de los Milagros", começou a utilizar uma túnica roxa para venerar a imagem, popularizando a cor entre os seus seguidores. Essa tradição segue até hoje.

Já encontro senhoras com túnicas roxas andando pelas ruas. É impressionante. Algumas, finas e elegantes, usam a vestimenta com um blazer por cima. Sempre estão muito bem maquiadas e penteadas. Usam jóias, bolsas Louis Vuitton e óculos da Gucci. E, mesmo assim, sem constrangimento algum, passam o mês de outubro inteiro com uma roupa cor de beterraba com uma corda de fibra amarrada na cintura.

Acho curioso. Fico imaginando essas mulheres encarregando a costureira da família uma dezena de trajes roxos (porque mulher chique não repete roupa!!!) para cada dia da semana. Todas iguais, mas novas e, por isso, diferentes. Muitas destas mulheres, branqueadas a forca por meio de tintura e plástica no nariz (campeã de cirurgias estéticas), assumem, de maneira quase sincrética, uma devoção negra, na qual um dos maiores símbolos é, justamente, uma roupa sem adornos, espetacular apenas na cor.

Mais um pouco e vai acontecer como as pulseirinhas do Senhor do Bonfim: capturadas por algum designer de plantão, será alçada a categoria fashion, com uma etiqueta famosa pendurada no verso, avacalhando um evento essencialmente popular.

Enquanto isso não acontece, mesmo ácida, continuo achando essa devoção peruana super interessante. E maravilhosa.

Evidentemente não é uma Louis Vuitton...


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27-9-2004

12:34 AM

Só aqui

Um dos músicos que participou da feijoada de lançamento do Clube da Cachaça foi Hernandez não-me-lembro-o-sobrenome. Na verdade, chamá-lo de músico é bondade minha. O que ele é mesmo e um violeiro diletante, que só sabe cantar direito "Guantanamera". O barato do Hernandez é o Sóngoro Cosongo, seu restaurante lá de Barranco, claro!

É justamente no Sóngoro que os cantores-pescadores ensaiam o repertório para o CD que um certo Imperador do Palo Mojado está produzindo. Os ensaios acontecem toda sexta-feira e já estão virando o pit stop obrigatório da galera antes da balada.

Aliás, a coisa tá bombando tanto que o tal ensaio é a própria balada. Digamos assim, "a nível" de terça-feira do Olodum!!!

Até pouco tempo atrás eu não tinha visto o nome do restaurante escrito e sempre me pareceu uma palavra só, no máximo Songo Rocosongo. Para quem não percebeu a diferença, há. Notem que "Sóngoro" é uma proparoxítona e  depois de "Construção", as proparoxítonas foram alçadas a categoria de poesia.

Quando fui lá e vi como se escreve,  pronunciá-las me pareceu mais delicioso ainda. Aliás, tão ou mais gostoso quanto comer a comida, não necessariamente nessa mesma ordem. Acho que é porque é a antiga cozinheira da família quem prepara o maravilhoso chicarrón de pollo, uma das seis maravilhas do cardápio (o forte do Sóngoro Cosongo são os drinques a base de pisco)

Meu único problema é que nem os mais antigos habitues conseguiam me explicar o que significava Sóngoro Cosongo. De uma coisa eu tinha certeza, a origem das palavras é africana, afinal parece até nome de orixá. Pelo sim, pelo não, fui na fonte. E a história consegue ser melhor que a pronuncia.

Me disse Hernandez que quando era criança todas as vezes que o pai iria levá-los a um lugar bem legal, dizia:
- Vamo´ lá, vamo´ sóngoro cosongo...

E sóngoro cosongo era passear, viajar, sair para almoçar, visitar a avó. Aí, um dia eles se deram conta de que sóngoro cosongo era uma emoção! Era a certeza de que uma coisa muita boa iria acontecer.

- Depois, vi em algum lugar que existe uma música cubana que tem o mesmo nome. Mas, para mim, sóngoro cosongo sempre será o que me ensinou meu pai: uma alegria.

Claro que a história de Hernandez deveria me bastar, tão linda e impecável. Parte de um relicário, poderia se dizer. Mas, não resisti: googleei... E o que encontrei, me fez entender por que o pai do Hernandez usava justamente essas palavras para definir o que viria.

Tal como imaginei, a expressão "Sóngoro Cosongo" tem mesmo origem africana e foi título de um poema, transformado em cancao depois, de Nicolas Guillen, reconhecido escritor afro-cubano, morto em 1939. Num dos sites que visitei, Guillen é descrito como "aquele que mostrou seu compromisso com a pátria cubana e americana, com seus irmãos de raça e com todos os deserdados do mundo".

Por essas e outras que as palavras me fascinam tanto. O que elas guardam é tão maior do que podemos supor...

Songoro Consongo

Áy negra
Si tu suopiera que a noche te ví pasá
Y no quise que me viera
A él tú le hará como a mí
Quen cuanto no tuve plata
Te corrite de bachata
sin acoddate de mí
sóngoro cosongo de mamey
sóngoro la negra baila bien
sóngoro de uno sóngoro de tre
Aé vengan a be
Aé vamos pa be
Vengan sóngoro cosongo
Sóngoro cosongo de mame
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23-9-2004

12:18 AM

"Eu to falano c´as parede?!"

No sábado tivemos um daqueles programoes de família: visita a uma fazenda programada pela escola do Mateus.

A idéia era promover o contato das criancas com as vacas, os patos, as galinhas e os preás. Acho que é para comprovar que esses bichinhos existem mesmo, indo mais além do bife, do "pollo a la brasa com papas fritas y ensalada" e do "cuy asado".

O Mateus estava sem a menor paciência e na metade do tour me pediu para voltar.
- No me gusta, mamá. Quiero irme a jugar en el columpio...
Como também detesto essas atividades e, pior, nao me dou bem com aglomerações, fui contente empurrar meu filhote no balanço.

As duas da tarde, com horário apertado em Lima (tínhamos um compromisso as tres), nos preparávamos para voltar pra casa, quando começou o sorteio. É, teve disso também. A mesa de brindes estava cheia e o Mateus olhava com um olho comprido de dar dó.

Estava na cara que daquele mato não sairia nem um pintinho para a família Gonçalves Guimarães e o melhor era sair dali antes que a frustração do pequeno se virasse contra os pais. Nascer numa família de azarados não é acaso, é sina...

Enquanto os números 12, 32, 42, 52, 62 e até o 72 saiam de dentro da urna, o Mateus ia aumentando o olho e o choro:
- Mamá, quiero mi regalo...

Quase chorei também. Mas, só me restava embolar o papelzinho de número 22, o nosso. Até o número 25 foi sorteado, de nossos companheiros de mesa, que apesar de também se definirem como pouco agraciados com os anjos da sorte bem que ganharam um brinquedo lindo, repetindo o mico do curso de noivos, quando havia vinte casais, 19 prêmios, e nós fomos os únicos que não ganhamos nada, perdendo para um casal que tambem dividia o estigma (no final, com pena, nos deram uma bolsa com produtos Bozano!).

Sobrava uma cafeteira hi-tech que só faltava falar. Supostamente, era o melhor brinde, guardado para o último número.

- Número veinte...
Opa, deixa eu desembolar meu papelzinho...
- ...y siete!
Bolas! Nem sei por que mantive a esperança.

Mas, eis que para minha surpresa, a história não tinha acabado. Arrá! Não é que o número 27 já tinha ido embora, teve um novo sorteio e saiu o 22?!

O Mateus todo pimpão agarrou sua cafeteira e parou de chorar na hora. De note, enquanto saboreávamos um delicioso café, o filhote entra na cozinha e reclama:
- Hey, ese es mi regalo. Me lo gané en la hacienda de las vacas...

Vocês não imaginam o trabalhão que foi convence-lo de que nao, ele não poderia levar a cafeteira para o quarto e coloca-la junto com os carrinhos e o vídeo do "Toy Story", que ele vê quinze vezes ao dia.

O lindo é que como ele ainda tem três anos, no final mesmo, se contenta com a caixa...
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20-9-2004

9:43 PM

Pinga no Peru - parte II

Duas horas da tarde e nada. A feijoada estava marcada para esta hora, mas as duas só estávamos o Arquiduque e eu, além dos donos do Patagônia -  Ezequiel e Grapa -, Barão e Baronesa do Alambique Portenho, preocupadíssimos pela falta de quorum.

- Vocês convidaram um monte de gente, né?! - me perguntou a Baronesa a certa altura.

Sabíamos que o famoso horário peruano impede as pessoas de serem pontuais. Se no Brasil é considerado de bom tom (?) chegar quinze minutos mais tarde, por aqui o "elegante" passa pelos quarenta minutos de atraso, no mínimo. Mesmo assim, nos preocupamos.

As duas e vinte chegam o Imperador do Palo Mojado, Floriano Régis, e a mulher, a Imperatriz Nelly. Junto com eles, todos os arautos do reino do Canavial: os pescadores de Pucusuna que cantam música cubana, Nico e Roberto, mestres em Chorinho. Um com o clarinete e o outro no cavaquinho. Sem falar em Hernandez, tocador de viola e dono do Sóngoro Cosongo, que no fim da noite nos explicou o que significa esta emocao...

Daí, o baile começou. Os súditos, companheiros no gosto pela cachaça, chegaram pontualmente atrasados, como convém aos de sangue vermelho, comum e corrente, latino e "caliente".

O Marques e a Marquesa do Reino do Brasuca, Domingos e Tânia, garantiram a capirinha e os petisco brasileiros: coxinha de galinha, pão de queijo e torresmo, este hiper sequinho e pouco gorduroso, ainda que nobre e sinceramente calórico!!!

Semanas antes, tínhamos conhecido um caricaturista político que tem uma página no El Comercio, principal jornal limenho, que criou para o reino do Canavial o brasão que faltava para a coroação. Fizemos, às pressas, umas dez camisetas, que foram vendidas tão rápidas quanto tragada foi a Providencia.

Claro que numa reunião desse nível no Peru, país onde pinga é palavrão, não dava para evitar os sutis comentários:
- A Arquiduquesa armou toda essa festa porque adora uma pinga. Olha a cara de felicidade do Arquiduque...

"Chora Clarineta" abriu o show, dedicado a mim, mais uma vez. To nojenta mesmo, e daí?!

Para coroar, já que estamos falando de príncipes e princesas, a Baronesa do Alambique Portenho agradeceu de uma maneira extremamente chique a presença de todos:

"Amigos, queria dizer uma coisa em meu nome e no do Ezequiel. Eu venho de uma família grande, no qual todos se reúnem no domingo para almoçar. As mesas, as juntamos, e como sao de diferentes tamanhos, fica uma coisa irregular, com uns mais baixos que outros.

As crianças, as colocamos nas pontas, reunidas, para que possam fazer a bagunça que queiram. Desde que me mudei a Lima não tinha um almoço em família, com mesas e pessoas juntas.

Hoje, foi essa a sensação que tive. Enquanto a Arquiduquesa arrumava o material informativo na mesa e os meninos do Brasuca armavam os copos das caipirinhas, eu olhei para o cenário e comentei com o meu marido: ´a impressão que tenho neste momento é a de que estamos arrumando a casa para receber nossa família e nossos amigos´. Por isso, agradeço a todos não só pela presença, mas, principalmente, por me devolverem esse sentimento..."

As oito da noite, estava inaugurado oficialmente o "Cachaça Club - O Clube da Cachaça de Lima".


                                                         
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19-9-2004

11:58 PM

Brasileiros introduzem pinga no Peru!

Neste domingo, inauguramos em grande estilo o Clube da Cachaça. Foi lindo! Por enquanto, mando somente o Estatuto oficial, que estou morrendo de sono e nao consigo escrever um relato.

Estatuto do Clube da Cachaça

Artigo I

O Cachaça Club é etilicamente democrático. Respeita todas as denominações de origem e todos os graus de teor alcoólico, desde que a piada seja boa e que não tenha cutucão.

Artigo II

O Cachaça Club aceita qualquer pessoa como membro (e qualquer membro como pessoa!), independente da sua orientação etílico-religiosa e preferência político-sexual. A única exigência para filiação é o bom humor e o alto-astral.

Artigo III

Os membros do Cachaça Club são os responsáveis pela manutenção do estoque regular mínimo de branquinhas. Assim, cada pessoa que se torne membro do Clube deve doar ao menos uma garrafa de branquinha da boa para ser degustada pelos demais membros nas reuniões ordinárias, extraordinárias e fora do comum do Clube. Além disso, todos os membros se comprometem a, uma vez no Brasil, se lembrar do Clube na hora das compras.

Artigo IV

A cachaça, como a mais legítima bebida representativa do espírito brasileiro, deve ser degustada com fervor cívico-etílico e com prazer e pode ser saboreada por qualquer pessoa, de qualquer nacionalidade. Porque a cachaça, na verdade, é de todos.

Artigo V

O Cachaça Club reúne-se onde estiverem reunidos os seus membros. Para que a assembléia seja instalada, basta tomar o primeiro gole.

Artigo VI

O Cachaça Club respeita as tradições etílicas de outros povos e promove constantemente o congraçamento da cachaça com outras bebidas. Se acompanhado de um tira-gosto, melhor ainda.

Artigo VII

Os Estatutos do Cachaça Club estão permanentemente sendo escritos, revisados, amassados e jogados fora. Qualquer membro do Club é convidado a dar o seu pitaco.

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16-9-2004

2:10 PM

Feliz dejavu!

Eu já contei isso uma vez: vi o resultado dos exames de gravidez do Mateus na Internet. Abri no computador do trabalho, com as portas fechadas, acompanhada de uma amiga-companheira de trabalho.

Como nenhuma das duas conseguia ler o tal exame, ela chamou um amigo, que lhe mandava girassóis toda semana e nao sei bem por que, entendia "código morse", para nos ajudar a ler aquela mensagem cifrada.

Me lembro como se fosse hoje. As duas, dividindo aquele segredo de liquidificador, chorando e rindo ao mesmo tempo.

No começo desta semana, recebo um email desta amiga, anunciando a sua gravidez. Ela tinha acabado de "abrir" o exame, também pela Internet, e queria que eu fosse uma das primeiras em saber, repetindo o momento que dividimos há quase quatro anos.

Fiquei surpresa e super emocionada, não só com a noticia, mas com o carinho.

Aí, para completar a semana das grávidas generosas, que, aliás, é até redundância, já que toda grávida fica generosa e egoísta ao mesmo tempo (além de sonolenta, enjoada e hiper sensível, claro!), ontem à noite, a vizinha veio entregar uma caixa enorme de presente para o Mateus.

Ela é hiper tímida, entregou a encomenda a Leandra e foi embora correndo. Evidentemente, fui lá no ato agradecer e mal conseguia falar com a moca. Que coisa mais linda, gente!

Depois de agradecer e de me oferecer para qualquer coisa que ela necessitasse, ela me respondeu:
- Seu filho é tão lindo. Todas as vezes que olho para ele tenho vontade de chorar. Espero que o meu seja assim...

Não preciso dizer mais nada, né?!

PS: Ah, o pai do filho (ou filha!) da minha amiga brasileira é o homem dos girassóis...
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14-9-2004

10:44 PM

Spam...ntoso!!!

Depois do "emagreça dormindo", os deuses dos spans resolveram atacar em outro flanco (ui!): me oferecer um perfume à base de feromonio, para seduzir o meu homem. O curioso é que, apesar do tom altamente erótico da promessa, a foto é a de um casal de noivos, desses com véu, grinalda e gravatinha borboleta.

Ou seja, o que o anúncio promete mesmo é um marido. Ai, ai. Digamos que seja a máxima "agarre seu homem pela comida" levada ao extremo.

Entretanto, confesso: fiquei curiosa. Como será um perfume com essência de feromonio? Sabem qual é a primeira coisa que me vem a cabeça? Cio. Tipo, os cachorros ficam enlouquecidos quando a cachorrinha está naqueles dias, certo? Deve ser a mesma coisa com o tal perfume. Eca!

Mas, como a foto é de uma noiva, a idéia deve ser: enlouqueça o seu homem, mas segura o tchan, que a promessa é casório, não prazer (!!!). Agora, sinceramente, isso é muito bagaceira, né não?!

Me lembrou, também, uma entrevista que vi com as meninas que fazem o programa "Sob nova direção": a Ingrid Guimarães e a Heloisa Perissé. Pois é, legal esse negócio de mulher fazendo humor, território tão marcadamente masculino, ao menos no Brasil.

Até porque o que a gente ainda vê na TV é aquele humor escroto, machista elevado a ultima potencia, com aquela mulherada que sofre de lordose, celulítica, siliconada, usando mini-saia e caminhando como se tivesse uma batata enfiada nos glúteos. Entra ano, sai ano, e as piadas continuam as mesmas, requentadas e cada vez mais politicamente incorretas.

Aí, a Ingrid, que já achava super engraçada desde o "Confissões de Adolescente", com aquela história hilária sobre a primeira vez que ela fumou maconha e saiu com uma toalha enrolada na cabeça pelas ruas de Ipanema, me vem com a descrição da Pit, sua personagem no programa de domingo.

Em linhas gerais, a moça é uma trintona doida para dar e que faz qualquer coisa para agarrar um marido. Que decepção, gente. Nem Ingrid fugiu do estereótipo. Ela até poe um verniz de novo milênio, a começar pelo nome: Pit, que pode ser uma mescla de Patrícia - o arquétipo da feminilidade tontinha, que usa perfume Gucci e calcinha cor-de-rosa - e pit-girl - aquela que parte para cima, sem medo de cara feia e de camisinha.

Sem falar que a moça é dona de bar e ex-motorista de táxi, terrenos profissionais masculinos por excelência. Mas, no fundo mesmo, o que a personagem busca é um homem para chamar de seu.

O que me leva a grande questão filosófica da semana: será que o perfume de feromonio nao funciona para a pobre Pit?

PS: O título deste post está infame, né?! Vai ver que é por isso que a mulherada ainda é conhecida como incapaz de contar piada...

PS2: Aliás, falando em humor masculino com clara referencia ao mundo feminino...
TPC: Tensão Pré-Copom é demais para minha cabeça.
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